Relacionamento Amoroso – Amor ou dependência?


Existe um limiar muito claro que diferencia o amor da dependência afetiva. O dependente normalmente apresenta uma visão muito frágil de si mesmo, sentindo uma imensa necessidade de ser reconhecido, aceito e amado pelo parceiro(a), suas atitudes são permeadas pela necessidade constante de preencher o vazio que está dentro dele, e isso muitas vezes é confundido com um grande amor.


Pessoas dependentes emocionalmente raramente conseguem viver sem um relacionamento afetivo, pois ao romper uma relação, tendem logo, a buscar outra que supra a carência e a sensação de abandono que a relação anterior deixou dentro dela.


Depender emocionalmente da pessoa amada é o mesmo que atirar-se a um grande precipício. O amor vivenciado de forma saudável, não acarreta o peso da espera exacerbada de reciprocidade, que surge a medida que um dos parceiros oferta um carinho ao companheiro(a) acarretando inconscientemente a expectativa de uma retribuição eterna.


Pessoas dependentes emocionalmente, são indivíduos que esperam sempre mais do parceiro, mais atenção, mais demonstração de afeto e mais carinho. A maioria das vezes a relação fica sufocante, a medida que a responsabilidade de ser feliz é posta na mão do outro, o que sempre vai gerar a sensação de incompletude.


A dependência afetiva, tem sua origem na infância, quando por alguma razão a criança deixa de sentir-se amada, reconhecida e aceita pelos pais, surge então de forma inconsciente uma tendência a buscar esse amor no outro, que perdurará o resto da vida se não for tratada adequadamente.

Outras crianças acostumam-se com o comportamento padrão de manipular o outro para conseguir aquilo que quer, prejudicando de maneira indireta as crenças e as atitudes dela quando cresce, assim a manipulação surge nos relacionamentos afetivos de forma inconsciente, quando um diz para o outro; Eu faço tudo por você e olha o que você faz comigo. Essa também é uma das características de comportamentais de pessoas emocionalmente dependentes.


É claro que esse não é um comportamento articulado e planejado, muito pelo contrário, ele resulta em esferas dolorosas de rejeição, medo de perder o outro, velado entre o desamparo e uma tristeza intima. Sendo assim, é fundamental que para sair de uma relação de dependência amorosa, o sujeito reconheça que o gatilho latente no comportamento do jogo é o medo de não ser amado e aceito pelo outro. O problema então passa a ser a forma como uma pessoa age, a fim de satisfazer-se, muitas vezes gerando sofrimento para o parceiro (a) e para si mesmo.


Através do processo psicoterápico é possível compreender melhor a forma que o paciente se relaciona com o mundo, explicando a razão pela qual algumas pessoas interagem nas relações amorosas de forma autoconfiante e tranquila, enquanto outros são deprimidos, ansiosos, excessivamente carentes ou ciumentos.


E para aqueles que pensam que a dependência afetiva é algo fácil de ser tratada sozinha, vale lembrar que cada dia mais, pessoas tem sido diagnosticadas conforme o DMS –IV – TR “Transtorno da Personalidade dependente” que resume o transtorno como um padrão de comportamento submisso e aderente , relacionado a uma necessidade excessiva de proteção e cuidados.


O psicólogo diante desse caso, direciona o paciente para o auto conhecimento, ajudando-o a fortalecer sua auto estima e reconhecer o seu valor, pois a partir do momento que o paciente aprende amar a si mesmo em primeiro lugar, ele passa a colocar-se na relação amorosa de forma mais segura e equilibrada, pronto para amar verdadeiramente.

Psicóloga Bárbara Rezende


Posts Em Destaque
Posts Recentes